Exército de um homem só
Existem dois tipos de pessoas em mim: o que eu sou e o que acho que sou. As vezes me pergunto até que ponto o que eu acho que sou realmente é o que eu de fato sou, inutilmente, uma vez que qualquer conclusão que eu chegar será apenas o que eu acho que é, e não necessariamente o que de fato é.
A questão em si é que não há quem me conheça de fato - cada um tem sua própria impressão baseado em experiências e diálogos que tenhamos tido. Desta forma, nem eu nem ninguém realmente me conhece, e por mais que eu afirme com plena convicção ser alguma coisa, a afirmação relativiza-se de acordo com o olhar do receptor.
É como tirar uma foto e revê-la anos mais tarde sob o olhar crítico e insatisfeito. “Eu era assim? Céus, me olhava no espelho e me achava tão mais legal…”. Os outros, por sua vez, não viam nem o reflexo do espelho, nem a gravura, mas sim uma perspectiva própria e única.
O resultado, então, é essa busca incessante pelo infindável auto-conhecimento, pra tentar, nem que de longe, entender o que sou. Vai que assim passo a fazer o mínimo de sentido?
